24 de janeiro de 2011

Professores indígenas recebem formação continuada


Cerca de 250 professores da etnia Fulni-ô de Águas Belas participam, de 25 a 27 deste mês, de um curso de formação profissional continuada. Nesse período, eles serão preparados para atuarem nas áreas de educação infantil, fundamental, ensino médio e gestores. A iniciativa é coordenada pela Unidade de Educação Escolar Indígena (UEEI), órgão da Gerência de Educação em Direitos Humanos (GEDH).

No encontro, que ocorrerá na Escola Marechal Rondom serão discutidas temáticas que abordarão identidade, interculturalidade, terra, história, organização, bilinguilismo, planejamento e avaliação escolar, além da proposta de trabalho.

Atualmente, a Secretaria de Educação mantém 126 escolas públicas indígenas, com 10.088 alunos distribuídos em 14 municípios de Pernambuco. Esses alunos são pertencentes a 12 etnias: Kambiwá, Kapinawá, Tuxá, Xukuru, Atikum, Pankará, Pankararu, Entre Serras, Pipipã, Fulni-ô, Truká e Atikum.

Tribo Kambiwá – Na última quarta-feira (19), a tribo Kambiwá deu início ao seu ano letivo com o Ritual do Praiá. A festividade cultural aconteceu no Pólo Nazário Kambiwá, em Buíque.

Fonte: SEDUC/PE

Programa Letrar busca alfabetizar 5 mil alunos em 2011

Retirar um contingente estimado de 15 mil pessoas do analfabetismo é a meta do Programa Brasil Alfabetizado, que será implantado no município de Alagoinhas com o nome de Letrar.

O esforço conjunto de inclusão terá início oficial na próxima sexta-feira, à 19h, na Câmara de Vereadores de Alagoinhas. Este ano, 250 monitores estarão reunindo turmas de 20 alunos em média nos pontos mais remotos do município, para atingir nesta primeira etapa 5 mil pessoas, que por diversas razões, como o trabalho precoce, se viram afastados das salas de aula.

No evento de abertura do Letrar, o professor David Mourrahy, especializado em Gestão Empresarial e Recursos Humanos, realizará palestra motivacional relativa ao desafio da Educação de Jovens e Adultos para a comunidade escolar. A abertura acontece na Câmara dos Vereadores, dia 21, sexta-feira, às 19 horas.


O secretário de Educação, Caio Castro, garante que o Letrar em Alagoinhas terá todo apoio da Prefeitura para erradicar essa herança negativa que impede as pessoas de interagirem com o ambiente externo, principalmente com outras pessoas e instituições, de maneira a ter práticas transformadoras em sua vida pessoal e comunitária.

O secretário afirma que o Letrar tem um propósito arrojado de ensinar os códigos da linguagem escrita, mas acima de tudo, criar um estímulo para uma transformação radical na vida dessas pessoas. O curso terá duração de seis meses e aulas com duas horas e meia de duração, de segunda-feira à quinta-feira.

“O analfabetismo gera exclusão, portanto estaremos inserindo pessoas no convívio com as demais na plenitude dos seus direitos e possibilidades. Com essa iniciativa queremos levar essas pessoas para o processo regular de aprendizagem, a exemplo dos mecanismos de aceleração como a Educação de Jovens e Adultos”, diz o secretário.

Segundo Castro, o programa vai instrumentalizar pessoas para ter uma participação mais ativa e satisfatória na sociedade. O fato dessas pessoas aprenderem a ler, para o secretario de Educação, significa a descoberta de um novo universo que muda a qualidade da relação que elas têm com o mundo, com as pessoas e principalmente consigo mesmas. O ato de aprender a ler não pode ser medido sob nenhum referencial econômico, disse Castro, mas proporciona ganhos qualitativos a toda sociedade.

A SEDUC prepara-se para realizar uma integração entre o programa Letrar e Pro-EJA, que além das disciplinas formais, oferece cursos de capacitação para os alunos. Em Alagoinhas, existem quatro turmas no PRO-EJA vinculadas ao Instituto Federal de Catu, com cursos de culinária e informática. Com a vinda gradual do Instituto para Alagoinhas, de acordo com a reitora Aurina Santana, o PRO-EJA poderá ser fortalecido no município permitindo essa vinculação com o Letrar, absorvendo ainda jovens que não concluíram os estudos no período adequado.

Nos próximos meses os 250 monitores estarão participando de um intenso programa de capacitação, que terá um caráter permanente, acompanhando toda a prática da alfabetização que pretende oferecer o que existe de mais atual em termos de letramento para jovens e adultos. A formação inicial, que começa a partir de 22 de fevereiro e segue até 21 de março, terá carga-horária de 40 horas e está a cargo da empresa licitada COMOEDUCARE.

A formação continuada tem início em 25 de março e se estende até 09 de setembro, com 48 horas de carga horária. Serão distribuídos módulos que tratarão de temas diversos como saúde da mulher, acuidade visual, linguagem e cidadania, pedagogia de projetos e agricultura familiar.

Fonte: Tribuna da Bahia

A escola como mobilizadora nacional

Por Eliezer Pacheco

Ultimamente tem sido muito enfatizada a valorização do professor como forma de melhorar a educação brasileira. Isto é absolutamente correto. Sem educadores qualificados, motivados e com salários dignos é impossível uma educação de qualidade. Da mesma forma, há a necessidade de escolas equipadas com laboratórios, bibliotecas e recursos didático-pedagógicos.

Entretanto, mesmo com a solução de todas estas questões, ainda teríamos dificuldades de aprendizagem, já que os principais problemas se originam do lado de fora das instituições educacionais. Estas dificuldades da sociedade, aliás, permeiam a escola. E não poderia ser diferente, pois, nesse caso, ela seria uma redoma, algo artificial.

A escola precisa se ocupar das questões sociais que a atingem direta ou indiretamente. Tais problemas não têm sido tratados como questões concernentes à educação, quando, de fato, o são. É difícil ocorrer uma aprendizagem adequada com famílias desagregadas, pais com baixa ou nenhuma escolaridade e inexistência de ambientes favoráveis ao estudo. Portanto, os entraves cruciais da educação têm de ser enfrentados com políticas de emprego, salário, distribuição de renda, habitação, saneamento, transporte, etc.

Nosso país, a partir do governo Lula, vem enfrentando estas questões e adotando importantes iniciativas na área educacional, cujos resultados, a médio e longo prazo, acontecerão. Estes, contudo, demandam uma geração inteira para se fazerem sentir. Devem os educadores e a sociedade apenas aguardar as conseqüências destas iniciativas? Parece-nos que não.

Embora os indicadores apontem para avanços importantes a partir das políticas de inclusão, distribuição de renda e investimentos em educação, a herança secular deve ser enfrentada por políticas que envolvam a escola e sejam focadas no seu público alvo, ou seja, pais e alunos.

As escolas públicas, além da parte pedagógica, deveriam ter uma coordenação de políticas sociais, responsável pela articulação entre os membros da comunidade escolar e as políticas públicas de saúde, habitação, saneamento, etc. Também de medidas em andamento promovidas pelo governo, como melhoria da merenda escolar, turno inverso e transporte.

Isso passa diretamente pela estruturação dos serviços sociais dentro das instituições escolares, os quais devem englobar também ações de formação política, cultural, desportiva, bem como ações de extensão, de atenção e cuidado com a saúde dos educandos e educadores, além de encaminhamento dos educandos a oportunidades de inclusão sociolaboral.

A comunidade escolar deve ser vista como um todo. Por isso, as escolas devem compreender a educação dos pais de seus alunos como parte de suas tarefas, encaminhando-os para a alfabetização, escolarização e profissionalização. É necessário ter conhecimento da situação de cada família e tomar todas as medidas no sentido de prover soluções aos problemas socioeconômicos que impedem o educando de ter um bom desempenho.

A presidenta Dilma tem apontado o combate à miséria como sua prioridade. Desta forma, nenhuma instituição pública pode se omitir, especialmente a escola, do papel que desempenha nas comunidades. A perspectiva educacional deve ser transversal e permear todas as políticas públicas como espinha dorsal das ações do estado, transformando-o em um estado educador.

É necessário, ainda, resgatar a dimensão política do fazer docente, no convencimento de que estas tarefas são parte do ser educador e do exercício da cidadania. Recuperar e qualificar o debate político-pedagógico como base de uma educação de qualidade.

O debate político entre os educadores foi substituído pelo debate sindical, importante para a categoria, mas insuficiente para responder aos grandes desafios da educação. A escola é a instituição pública de maior capilaridade em todo o país e, portanto, a que tem melhores condições de articular uma grande mobilização nacional em defesa do conhecimento e da emancipação.

* Eliezer Pacheco é professor e Secretário de Educação Profissional do Ministério da Educação (MEC)

Fonte: O artigo foi publicado, originalmente, no jornal A Gazeta (MT) na última terça-feira, 19 de janeiro.

Programa Arca das Letras leva bibliotecas para comunidades rurais


Criado em 2003 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o programa Arca das Letras implanta bibliotecas para facilitar o acesso ao livro e à informação no meio rural brasileiro.

O Programa beneficia diariamente milhares de famílias do campo, formadas por agricultores familiares, assentados da reforma agrária, comunidades de pescadores, remanescentes de quilombos, indígenas e populações ribeirinhas.

As arcas são administradas por agentes de leitura, moradores escolhidos por indicação da comunidade para efetuar as atividades das bibliotecas. São eles que realizam o incentivo à leitura, o empréstimo dos livros, a ampliação dos acervos e a valorização da cultura local. Todo o trabalho dos agentes de leitura é voluntário.

Para incentivar e facilitar o acesso à leitura, as bibliotecas são instaladas na casa dos próprios agentes ou nas sedes de uso coletivo (associações comunitárias, pontos de cultura, igrejas), de acordo com a escolha da comunidade e disponibilidade dos agentes.

O acervo inicial de cada arca conta com cerca de 200 livros, selecionados para contribuir com o trabalho, a pesquisa e o lazer das populações que vivem no campo. Os exemplares são escolhidos de acordo com a indicação e demanda das famílias atendidas. Os acervos são formados por literatura infantil, para jovens e adultos, livros didáticos, técnicos, especializados e de referência ao exercício da cidadania.

Inscreva sua comunidade

Para receber uma biblioteca rural Arca das Letras é preciso reunir a comunidade, preencher o formulário de consulta que irá pontuar as características das famílias que serão beneficiadas e indicar os livros que vão atender a comunidade.

Para saber mais sobre esta iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e acessar os documentos necessários para solicitar a Arca das Letras, clique aqui.

Fonte: Blog Educação (com informações do Ministério do Desenvolvimento Agrário)

Saiba o que é preciso para elaborar um Plano Municipal de Educação (PME)

O projeto de lei que cria o Plano Nacional de Educação (PNE), enviado pelo governo federal ao Congresso no final de 2010, prevê que os estados, os municípios e o Distrito Federal elaborem planos correspondentes para as suas unidades ou façam adequações nos planos que já existem.

Um mapa da Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação, construído com dados do Sistema de Informações dos Conselhos Municipais de Educação (Sicme), mostra, no entanto, que apenas parte dos municípios possui planos de educação. Das 5.565 prefeituras, somente 3.204 têm Planos Municipais de Educação (PME) já elaborados, o que corresponde a 57% das cidades.

O PME é importante pois estabelece diretrizes e metas para as políticas públicas da educação nas cidades. Por meio desse planejamento é possível otimizar recursos, prevenir desperdícios, e assim, contribuir para melhorar o acesso e a qualidade do ensino em cada localidade. Daí, inclusive, a necessidade de integrar os diversos setores da administração pública e da sociedade na discussão e elaboração desse importante documento.

Para ajudar os gestores nessa tarefa, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) preparou um roteiro com uma espécie de passo a passo para a elaboração de um Plano Municipal de Educação. O material traz desde considerações gerais e objetivos, até uma lista de itens a serem analisados durante o processo e orientações para a redação do anteprojeto. Para ler a íntegra do roteiro, clique aqui.

Confira abaixo um sumário das informações contidas no material:

Introdução

1. Considerações iniciais
1.1. Bases legais do Regime de Colaboração
1.2. Plano de Educação do Município
1.3. Demandas e recursos da rede municipal de ensino

2. Objetivos
2.1. Gerais
2.2. Específicos do Município

3. O processo de elaboração
3.1. Antecedentes de colaboração com o Estado
3.2. Convocação dos atores: comissão ou fórum
3.3. Estudo geográfico e demográfico do Município
3.4. Histórico do Município
3.5. História da educação escolar e da rede municipal de ensino
3.6. Demandas atuais de escolarização: minicenso ou amostragem
3.7. Levantamento dos recursos financeiros
3.8. Estudo das alternativas de atendimento escolar
3.9. Tomadas de decisão estratégicas comissão ou conferência
3.10. Descrição das metas, ações e prazos
3.11. Mecanismos de acompanhamento e avaliação

4. A redação do anteprojeto de lei
4.1. Roteiro de redação
4.2. Tramitação do anteprojeto na Câmara Municipal


Fonte: Blog Educação (com informações do MEC e da Undime)